Em meio às transformações recentes no comportamento dos consumidores, o mercado de design de interiores registra uma mudança significativa: as pessoas passaram a enxergar a própria casa como um investimento contínuo em qualidade de vida. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha esse movimento e nota como tendências antes restritas a projetos de alto padrão chegaram ao mercado residencial amplo, impulsionadas pelo acesso a referências visuais e pela valorização crescente do conforto doméstico.
Prepare-se para entender melhor de que forma essas tendências se traduzem em decisões práticas de decoração.
Cores neutras e paletas terrosas como linguagem dominante nos interiores
A preferência por tons neutros e paletas inspiradas na natureza consolidou-se como uma das tendências mais duradouras do design de interiores contemporâneo. Areia, terracota, off-white e verde-musgo compõem ambientes que transmitem serenidade sem abrir mão da personalidade. Conforme elucida Daugliesi Giacomasi Souza, a popularidade dessas paletas não é um modismo passageiro: reflete uma demanda real por espaços que acalmem, que sirvam de contraponto ao ritmo acelerado da vida urbana e que envelheçam bem ao longo do tempo sem exigir renovações frequentes.
Em complemento, a combinação dessas paletas com materiais naturais como madeira, linho, cerâmica artesanal e pedras brutas cria uma linguagem visual coesa e sofisticada. O resultado são ambientes que parecem simultaneamente atemporais e atuais, o que explica a longevidade dessa estética no mercado. A identidade visual dos ambientes construída a partir desse repertório tende a ser mais autêntica porque parte de elementos com textura, história e presença física marcante.
O retorno dos elementos artesanais e a valorização do feito à mão
Diante das mudanças que marcaram o consumo pós-pandemia, o artesanato e os objetos produzidos manualmente retomaram espaço nos projetos de decoração residencial. Peças únicas, com imperfeições visíveis e marcas do processo de fabricação, passaram a ser valorizadas exatamente por aquilo que as diferencia dos produtos industriais: singularidade e autenticidade. Na interpretação de Daugliesi Giacomasi Souza, essa valorização do artesanal está diretamente conectada ao desejo de personalização de ambientes, ou seja, à busca por espaços que reflitam quem os habita e não apenas sigam um catálogo genérico.

Não menos importante é o impacto dessa tendência no mercado de produtores locais e pequenos estúdios de design. Cerâmicas de ateliê, cestarias, objetos de vidro soprado e têxteis produzidos por artesãos brasileiros encontraram nos projetos de interiores um canal de valorização consistente. O consumidor contemporâneo não compra apenas o objeto: compra a história por trás dele, e isso transforma cada peça artesanal em um elemento narrativo dentro do ambiente.
Integração de ambientes e a nova lógica dos espaços abertos
A planta aberta, que integra sala, jantar e cozinha em um único fluxo visual e funcional, consolidou-se como referência nos projetos residenciais contemporâneos. Além de ampliar a percepção de espaço, a integração favorece o convívio familiar e adapta o ambiente às múltiplas funções que um lar moderno precisa cumprir ao longo do dia. Daugliesi Giacomasi Souza pondera que essa configuração exige, por outro lado, um planejamento mais cuidadoso da identidade visual de cada zona, para que a abertura não produza sensação de desordem ou ausência de intenção projetual.
A delimitação das áreas pode ser feita por meio de tapetes, diferenças de piso, iluminação direcionada ou mudanças sutis na paleta cromática. Cada recurso atua como uma fronteira visual sem criar barreiras físicas, preservando a fluidez do espaço. Quando bem executada, a integração de ambientes transforma a planta aberta em um projeto de alto desempenho funcional e estético, capaz de atender às demandas do cotidiano sem comprometer o conforto nem a coesão visual do interior.
Sustentabilidade e consumo consciente nas decisões de decoração
O debate em torno da sustentabilidade chegou com força ao design de interiores e alterou critérios de escolha de materiais, fornecedores e processos de projeto. Móveis reaproveitados, tintas de baixo VOC, materiais certificados e peças com procedência rastreável passaram a figurar nas decisões de quem reforma ou decora. Daugliesi Giacomasi Souza nota que essa mudança não é apenas ética: é também estética, já que materiais naturais e de origem responsável costumam ter acabamentos mais ricos e personalidade visual mais marcante do que alternativas sintéticas de baixo custo.
O conjunto desses elementos indica uma transformação estrutural no comportamento dos consumidores de decoração residencial. A tendência não é mais escolher o que está na moda, mas construir ambientes que reflitam valores, que durem mais e que gerem bem-estar genuíno para quem os habita. Daugliesi Giacomasi Souza acompanha esse movimento como parte de uma maturidade crescente do mercado de design de interiores brasileiro.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
