Pesquisas eleitorais de 2026 mostram cenários opostos para Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
Pesquisas eleitorais de 2026 mostram cenários opostos para Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno

Levantamentos recentes divergem sobre quem lidera um eventual confronto direto, e a diferença ajuda a entender como funcionam as pesquisas.

Quem acompanha as pesquisas para a eleição presidencial de 2026 já deve ter notado algo estranho: dependendo do instituto consultado, o resultado de um possível segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro muda de forma significativa. Um levantamento aponta vantagem confortável do atual presidente, enquanto outro mostra o senador do PL na frente. Essa diferença gera uma dúvida comum entre eleitores: afinal, qual pesquisa está certa? A resposta não é simples, porque cada instituto usa metodologia própria, datas de coleta diferentes e cenários de simulação distintos. Entender essas variações ajuda a interpretar melhor os números que chegam nos próximos meses, período em que novas rodadas devem ser divulgadas com frequência.

O que mostra a pesquisa mais recente, do AtlasIntel

A rodada mais recente da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 1º de julho, aponta Lula com 48,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 42,3%. A diferença de 6,5 pontos percentuais representa uma ampliação em relação ao levantamento anterior, feito em abril, quando os dois estavam tecnicamente empatados, com 48% cada um. O percentual de eleitores que ainda não decidiram o voto também cresceu no período, passando de 5% para 8,9%.

No cenário de primeiro turno, o mesmo instituto mostra Lula à frente de todos os concorrentes, com 46,3% das intenções de voto, à frente dos 44% registrados em maio. Flávio Bolsonaro, por sua vez, recuou de 39% para 36,6% na mesma comparação. Renan Santos, do partido Missão, aparece em terceiro lugar e vem em ascensão, saltando de 5% para 7,8%. Ronaldo Caiado e Romeu Zema completam a lista, com 2,9% e 2% respectivamente. Vale lembrar que essa mesma pesquisa AtlasIntel já havia sido alvo de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que determinou a suspensão de uma rodada anterior, divulgada no início de junho, quando indicava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após a repercussão de áudios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Por que a pesquisa Gerp mostra um resultado diferente

Enquanto o AtlasIntel aponta vantagem de Lula, a pesquisa Gerp, divulgada em 24 de junho, traz um retrato bem diferente para o segundo turno. Segundo esse levantamento, Flávio Bolsonaro sobe de 33,7% no primeiro turno para 41,5% em um confronto direto com Lula, um avanço de 7,8 pontos percentuais. Já o presidente cresce menos nesse cenário, passando de 36,5% para 40,2%, uma diferença de apenas 3,7 pontos. A pesquisa também mostra que, no primeiro turno, os dois estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro de 2,19 pontos percentuais.

Um dos fatores que ajuda a explicar a diferença é a rejeição registrada por cada candidato. De acordo com a Gerp, 48% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 44% que rejeitam Flávio Bolsonaro. Essa rejeição está ligada à avaliação do governo, que segundo a série histórica da própria Gerp, iniciada em janeiro de 2025, mantém desaprovação na casa dos 50% desde o fim do ano passado, depois de ter chegado a 61% em março de 2025. A pesquisa foi realizada com 2.000 entrevistados entre os dias 15 e 20 de junho, com nível de confiança de 95,55%.

Como interpretar essas diferenças entre institutos

A divergência entre AtlasIntel e Gerp não significa necessariamente que um dos levantamentos esteja errado. Cada instituto trabalha com metodologia própria de coleta, forma diferente de apresentar os cenários ao entrevistado e datas de campo distintas, o que pode captar humores momentâneos do eleitorado de maneira diferente. Além disso, pesquisas feitas com poucos dias de diferença já podem registrar variações relevantes, especialmente em um momento de campanha marcado por fatos novos, como a repercussão de áudios ou decisões judiciais envolvendo candidatos.

Para o eleitor, a recomendação prática é acompanhar a média de diversos institutos ao longo do tempo, em vez de se basear em uma única pesquisa isolada. Também vale observar sempre a margem de erro informada e a data de realização de cada levantamento, já que pesquisas mais antigas podem não refletir mudanças recentes no cenário eleitoral. Esse acompanhamento contínuo tende a mostrar uma tendência mais confiável do que qualquer pesquisa pontual.

O quadro eleitoral de 2026 segue em aberto, com institutos apontando cenários diferentes para o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto o AtlasIntel projeta vantagem do presidente, a Gerp mostra o senador na frente quando simulado o confronto direto. Essa disputa de narrativas nas pesquisas deve continuar até a proximidade do primeiro turno, e novos levantamentos devem ser divulgados nas próximas semanas, o que reforça a importância de comparar diferentes fontes antes de tirar conclusões sobre o resultado da eleição.

Fontes consultadas:
https://www.brasildefato.com.br/2026/07/01/pesquisa-atlasbloomberg-aponta-queda-de-57-pontos-percentuais-de-flavio-bolsonaro-em-2o-turno-contra-lula/
https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/de-quem-flavio-bolsonaro-e-lula-herdam-votos-segundo-turno-segundo-pesquisa-gerp/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisas_de_opini%C3%A3o_para_a_elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_Brasil_em_2026

Compartilhe esse artigo