Locutor chega a 149 partidas de Mundiais narradas na TV e confirma que a Copa de 2026 pelo SBT será sua despedida das transmissões.
Poucas vozes marcaram tanto o imaginário do torcedor brasileiro quanto a de Galvão Bueno. Nesta segunda-feira (29), ao narrar o duelo entre Brasil e Japão pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o locutor ampliou uma marca que já era histórica: agora soma 149 partidas de Mundiais narradas na televisão, sendo 57 delas com a Seleção Brasileira em campo. O feito rendeu a ele um lugar confirmado no Guinness World Records e reacendeu uma pergunta que muitos torcedores fazem há anos: depois de tantas décadas ligado ao futebol na TV, esta será realmente a última Copa de Galvão como narrador? A resposta, segundo ele mesmo, tem a ver com idade, mas não necessariamente com um afastamento total do esporte que ajudou a narrar por gerações.
O recorde que colocou Galvão Bueno no Guinness
O número chama atenção por si só: 149 jogos de Copa do Mundo narrados ao longo da carreira, um total que nenhum outro profissional de televisão no mundo alcançou. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o próprio Galvão admitiu surpresa com a marca. Ele contou que não fazia ideia do número exato e se impressionou ao saber que já havia passado dos 148 jogos, incluindo 57 partidas apenas da equipe brasileira em Mundiais. Para quem acompanha futebol há décadas, a voz de Galvão está associada a momentos como o penta de 2002, e é justamente essa continuidade que torna o recorde tão simbólico para o público.
O reconhecimento pelo Guinness também chama atenção porque reforça o papel do Brasil como protagonista em recordes ligados ao esporte e à comunicação. Não é a primeira vez que um brasileiro entra para o livro por um feito ligado à transmissão esportiva, mas dificilmente outro nome vai repetir uma trajetória tão longa em Copas do Mundo. O próprio RankBrasil, sistema de homologação de recordes nacionais, já havia registrado a marca de Galvão antes mesmo da confirmação internacional, o que mostra como o feito vinha sendo acompanhado de perto pelo público especializado em recordes brasileiros.
Da Globo ao SBT: como aconteceu a mudança de emissora
Depois de 41 anos na TV Globo, Galvão encerrou o vínculo fixo com a emissora ao fim da Copa do Catar, em 2022, mas isso não significou o fim de sua carreira na narração. Desde então, ele passou a atuar por projetos independentes, incluindo o canal próprio no YouTube, até que surgiu a oportunidade de entrar como sócio da N Sports, empresa que adquiriu os direitos de transmissão da Copa de 2026 em parceria com o SBT. Foi esse acordo pontual que trouxe Galvão de volta às transmissões de Mundial, agora na emissora da família Abravanel, e não em um retorno à Globo, como muitos torcedores chegaram a especular nos últimos meses.
Na nova casa, Galvão comanda dez das 32 partidas exibidas pelo SBT, incluindo os três jogos da Seleção na fase de grupos, a abertura do torneio e, se a organização se confirmar, a decisão. Ele ficou de fora apenas da estreia entre México e África do Sul, por uma questão logística: enquanto o jogo de abertura acontecia na Cidade do México, o narrador já estava em Nova Jersey se preparando para a estreia do Brasil contra Marrocos. Antes da Copa, Galvão também passou por uma cirurgia na coluna para tratar uma hérnia de disco, recebendo alta médica em 1º de junho e conseguindo se preparar a tempo para as transmissões.
Por que esta Copa deve ser mesmo a última de Galvão
Ao comentar o futuro, Galvão foi direto sobre o motivo que deve encerrar sua trajetória como narrador de jogos: a idade. Segundo ele, na próxima Copa isso não será mais possível, mas isso não significa se afastar do futebol por completo. Ele mesmo cogitou continuar ligado ao esporte de outras formas, como apresentando um programa ou gravando comentários diários, funções que exigem menos desgaste físico do que a narração ao vivo de partidas.
Essa despedida também carrega um componente emocional para o torcedor, já que Galvão chegou a considerar a Copa do Catar, em 2022, como seu evento de encerramento, quando recebeu homenagens e foi tema de um documentário sobre a carreira. A oportunidade de voltar em 2026 surgiu de forma inesperada, através da parceria com o SBT, e por isso ele mesmo reconhece que esse ciclo deveria ter se fechado quatro anos antes. Para quem cresceu ouvindo seus gritos de gol, a Copa de 2026 se torna assim uma despedida dupla: do maior narrador de Mundiais da história e de uma voz que atravessou gerações de torcedores brasileiros.
O recorde de Galvão Bueno resume uma carreira que uniu longevidade, paixão pelo futebol e capacidade de se reinventar mesmo após décadas em uma única função. Ao som do Olodum, parceria que já dura mais de vinte anos nas transmissões da Seleção, ele deve fechar sua participação nesta Copa como o narrador mais premiado da história do futebol na televisão. Mais do que um número no Guinness, o feito representa a trajetória de um profissional que soube se adaptar às mudanças do mercado, migrando de emissora sem perder a conexão com o público que o acompanha desde os anos 1980.
Fontes consultadas:
https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/copa-do-mundo/galvao-bueno-anuncia-que-copa-de-2026-sera-sua-despedida-da-narracao/
https://www.tupi.fm/esportes/galvao-bueno-na-globo-entenda-o-contrato-do-narrador-para-a-copa-do-mundo/
https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/copa-do-mundo/entenda-por-que-galvao-bueno-nao-narrou-o-jogo-de-abertura-da-copa-do-mundo/
https://www.rankbrasil.com.br/Recordes/Materias/0j08/Brasileiro_Que_Mais_Narrou_Jogos_De_Copa_Do_Mundo
