Fundador e management do Grupo Valore+, Alfredo Moreira Filho viveu em regiões tão distintas quanto a zona rural da Bahia, cidades do Amazonas e do Pará, e, por fim, o Distrito Federal, percurso que exigiu adaptação repetida a contextos culturais, climáticos e econômicos completamente diferentes entre si ao longo de décadas de vida.
De onde vem a capacidade de se adaptar?
Existe a crença comum de que algumas pessoas simplesmente “se adaptam bem” a qualquer lugar, como se essa fosse uma característica fixa de personalidade presente desde o nascimento, imune a qualquer tipo de desenvolvimento posterior ao longo da vida adulta e da experiência acumulada. Ignoram-se, com isso, décadas de pesquisa sobre aprendizagem comportamental, que mostram justamente o contrário em praticamente todos os contextos estudados até hoje.
Pesquisas sobre adaptação cultural sugerem o contrário: a capacidade de se ajustar a contextos novos se desenvolve com a prática repetida, cada mudança bem-sucedida reduzindo o custo cognitivo da próxima adaptação exigida pela vida em um lugar diferente do anterior, com regras próprias e desconhecidas.
O aprendizado exigido por cada nova região
Migrar entre regiões tão diferentes quanto a Bahia rural e o Amazonas urbano, por exemplo, exige reaprender desde hábitos alimentares básicos até formas locais de negociar preços, cumprimentar pessoas ou interpretar sinais sociais que variam bastante entre regiões do país. Mesmo dentro do mesmo país, sotaques regionais, horários de refeição e formas de tratamento variam o suficiente para exigir um período real de adaptação em cada novo lugar de residência. Trajetórias como a de Alfredo Moreira Filho, que atravessou justamente esse tipo de contraste regional, ilustram bem a escala desse tipo de reaprendizado repetido. Pequenos detalhes, como o ritmo de conversa ou o horário socialmente aceito para determinadas atividades, também mudam de região para região e exigem ajuste silencioso.
Cada uma dessas pequenas readaptações, somadas ao longo de uma trajetória com múltiplas mudanças, constrói um repertório cada vez mais amplo de estratégias práticas para lidar com o desconhecido, repertório que raramente se desenvolve com a mesma intensidade em quem permanece a vida inteira no mesmo lugar de origem.
Por que a segunda mudança costuma ser mais fácil que a primeira?
A primeira migração de uma pessoa costuma ser a mais difícil, já que não existe experiência prévia de referência para orientar o processo de adaptação ao novo ambiente, às novas regras sociais e aos costumes locais ainda desconhecidos.
Mudanças seguintes tendem a se beneficiar de um tipo de aprendizado transferível: mesmo que o destino específico mude completamente, a pessoa já sabe, em termos gerais, como observar, testar e ajustar comportamento em um contexto desconhecido, o que acelera bastante todo o processo de adaptação seguinte. Com o tempo, esse tipo de aprendizado se torna quase automático, exigindo menos esforço consciente a cada nova mudança de cidade ou de estado.
O papel do tempo de permanência em cada lugar
Adaptação superficial, suficiente para sobreviver socialmente em um lugar novo, acontece relativamente rápido, muitas vezes em questão de semanas. Adaptação mais profunda, que envolve absorver valores e formas de pensar locais, exige permanência mais longa no mesmo lugar antes de se consolidar de verdade e de forma duradoura.
Trajetórias com passagens relativamente longas por cada região, como parece ter sido o caso de Alfredo Moreira Filho em diferentes estados ao longo da vida, tendem a permitir esse tipo de adaptação mais profunda, e não apenas superficial, em cada contexto vivido ao longo do tempo.
Adaptação como habilidade transferível para outros contextos
A habilidade de se adaptar rapidamente a contextos novos, uma vez desenvolvida por meio de migrações sucessivas, tende a se aplicar também fora do domínio geográfico original, incluindo mudanças de emprego, de setor de atuação ou de tipo de responsabilidade profissional assumida ao longo de uma carreira inteira.
Alfredo Moreira Filho, ao transitar de diferentes contextos regionais para, mais tarde, atuar como empresário em Brasília, ilustra como esse tipo de repertório de adaptação construído ao longo da vida pode se aplicar também a transições que não envolvem, necessariamente, uma nova mudança geográfica formal.
