Alex Nabuco dos Santos avalia que um dos sinais mais consistentes do estágio atual do mercado imobiliário não está nos preços anunciados nem nos índices agregados, mas no tempo que as decisões estão levando para se concretizar. Em 2026, o alongamento do prazo médio entre o primeiro contato e o fechamento efetivo de uma negociação tornou-se um indicador silencioso, porém revelador, do momento vivido pelo setor. Não se trata de retração pura, mas de mudança na forma como o capital processa risco, informação e oportunidade.
Esse aumento do tempo decisório reflete um ambiente em que o erro passou a custar mais do que a demora. Em ciclos anteriores, a velocidade era premiada. Hoje, a cautela ganhou status de estratégia. O mercado segue ativo, mas menos impulsivo, e essa alteração de ritmo diz muito sobre a maturidade do ciclo.
Mais tempo não significa menos interesse
Na leitura de Alex Nabuco dos Santos, o alongamento do prazo de decisão não deve ser confundido com desinteresse ou paralisia. O que mudou foi o nível de escrutínio. Investidores e compradores estão dispostos a avançar, desde que o ativo responda a critérios mais rigorosos de liquidez, previsibilidade e aderência ao contexto atual.
O imóvel deixou de ser avaliado apenas por atributos clássicos, como localização e padrão construtivo. Passou a ser analisado também pela sua capacidade de atravessar cenários adversos sem exigir correções abruptas. Esse tipo de avaliação demanda mais tempo, mais comparações e mais validações, o que naturalmente estende o ciclo da decisão.
O fim da decisão guiada apenas pelo preço
Alex Nabuco dos Santos observa que, em ambientes de maior incerteza, o preço isolado perde poder de convencimento. Um valor aparentemente atrativo não acelera a decisão se vier acompanhado de dúvidas sobre uso, liquidez futura ou custo de manutenção. O comprador prefere esperar a se comprometer com um ativo que possa se tornar problemático no médio prazo.
Esse comportamento explica por que negociações não avançam mesmo quando há espaço para ajuste financeiro. O gargalo não está na barganha, mas na convicção. O tempo adicional é utilizado para testar cenários, simular alternativas e observar o comportamento do mercado ao redor do ativo analisado.

Informação abundante, decisão mais lenta
Outro fator relevante apontado por Alex Nabuco dos Santos é o excesso de informação disponível. Relatórios, análises, dados e projeções circulam em volume muito maior do que em ciclos anteriores. Paradoxalmente, essa abundância não acelera a decisão, ela a torna mais complexa.
O investidor precisa filtrar ruído, diferenciar tendência estrutural de oscilação pontual e entender o que é específico daquele ativo. Esse processo de filtragem exige tempo. Decidir rápido em um ambiente saturado de informação aumenta o risco de erro por interpretação superficial.
Alongamento do prazo como sinal de seletividade
Alex Nabuco dos Santos interpreta o aumento do prazo médio de decisão como sinal claro de seletividade. O mercado está menos tolerante a ativos medianos. Imóveis que não respondem bem às novas exigências ficam mais tempo expostos, enquanto aqueles que oferecem clareza de uso, demanda consistente e boa leitura de risco seguem avançando, ainda que sem pressa. Essa seletividade redefine a dinâmica competitiva. Não basta estar no mercado, é preciso fazer sentido dentro dele.
Por fim, o aumento do prazo médio de decisão sugere que o mercado imobiliário entrou em uma fase de amadurecimento. Não há euforia, mas também não há retração generalizada. Há, sobretudo, maior consciência de risco e maior exigência de coerência entre ativo, preço e contexto. O tempo deixou de ser inimigo da transação e passou a ser parte integrante da estratégia. Entender esse sinal ajuda a interpretar corretamente o momento do mercado e a ajustar expectativas de quem compra, vende ou investe em imóveis hoje.
Autor: Sergei Asimov
