Brasil e Irã: Oportunidades e Desafios no Comércio Bilateral em 2026

Sergei Asimov
By Sergei Asimov 6 Min Read

O Brasil e o Irã registraram um novo capítulo em suas relações comerciais ao movimentar quase US$ 3 bilhões em comércio bilateral ao longo de 2025, um resultado que reforça a importância desse eixo econômico para as exportações brasileiras mesmo diante de um cenário global complexo e de pressões externas. Segundo dados oficiais, as vendas brasileiras para o Irã somaram cerca de US$ 2,9 bilhões no ano passado, consolidando esse vínculo como significativo dentro do contexto do Oriente Médio e marcando o país persa entre os principais destinos dos produtos nacionais naquela região. Essa dinâmica indica que, mesmo representando menos de um por cento do total das exportações brasileiras, o mercado iraniano tem peso estratégico para determinados setores produtivos da economia brasileira.

O fluxo comercial entre Brasil e Irã tem sido dominado pelo setor agropecuário, com milho e soja concentrando a maior parte do volume exportado. Esses produtos não apenas demonstram a capacidade competitiva do agronegócio brasileiro, mas também delineiam a especialização da pauta exportadora para mercados específicos. Milho responde pela maior parte das exportações, seguido pela soja, o que evidencia o protagonismo brasileiro em commodities agrícolas de grande demanda internacional. Além dos grãos, outros itens como açúcar, farelos e produtos derivados também contribuem para a balança comercial, reforçando o perfil exportador do país.

Por outro lado, as importações brasileiras originadas do Irã são muito menores em valor e volume, concentrando-se principalmente em fertilizantes e alguns produtos agrícolas como frutas secas e oleaginosas. Essa diferença destaca um padrão de especialização complementar, onde o Brasil atende às demandas de alimentos e matérias-primas, enquanto absorve insumos essenciais para sustentar sua própria produção agrícola. Mesmo com essa assimetria, a troca de bens entre os dois países revela um fluxo constante que pode ser aprimorado com diversificação de itens e fortalecimento de setores que ainda não foram plenamente explorados.

Nos círculos diplomáticos, autoridades brasileiras e iranianas têm expressado interesse em ampliar e diversificar esse relacionamento econômico, buscando oportunidades que vão além das commodities tradicionais. A intenção é criar condições mais favoráveis para a entrada de uma variedade maior de produtos em ambos os mercados, incentivando parcerias empresariais e a cooperação industrial. Esse movimento pode ser um fator relevante para a ampliação do intercâmbio comercial de forma sustentável, contribuindo para reduzir a dependência de poucos itens e abrir espaço para setores mais tecnológicos ou com maior valor agregado.

Entretanto, esse contexto também enfrenta desafios significativos, especialmente no plano geopolítico e nas relações com países terceiros. A imposição de tarifas por parte de potências globais, especialmente a adoção de novas taxas sobre parceiros comerciais do Irã, coloca o Brasil em uma posição delicada, exigindo equilíbrio entre os interesses econômicos e as pressões externas. Isso implica que decisões de política comercial precisam considerar não apenas os benefícios diretos das trocas com o Irã, mas também as possíveis repercussões em outras frentes de comércio internacional.

O cenário global de comércio tem mostrado que as cadeias produtivas estão cada vez mais interconectadas, e relações como a do Brasil com o Irã podem influenciar decisões estratégicas em outras áreas de política econômica. Ajustes tarifários, conflitos geopolíticos e dinâmicas de blocos econômicos influenciam diretamente as oportunidades e os riscos que surgem desse relacionamento. Assim, é fundamental que o Brasil avalie a sustentabilidade dessas relações no longo prazo, garantindo que seus interesses econômicos sejam preservados sem comprometer sua posição no comércio global.

Para o futuro próximo, analistas econômicos e representantes governamentais consideram que há espaço para aprofundar o comércio bilateral, sobretudo se forem implementadas políticas de incentivo e facilitação de comércio que reduzam barreiras e promovam maior integração. A potencial participação em acordos regionais ou multilaterais também pode abrir novas rotas para os produtos brasileiros, além de atrair investimentos que fortaleçam setores estratégicos para ambos os países. Ademais, um diálogo contínuo entre empresários e governos pode ser essencial para superar entraves logísticos e burocráticos que ainda limitam o crescimento do intercâmbio.

Finalmente, a relação comercial entre Brasil e Irã representa um exemplo claro de como países de diferentes regiões podem construir laços econômicos relevantes mesmo em um ambiente internacional desafiador. Esse vínculo evidencia a importância de estratégias que promovam diversificação de mercados e resiliência econômica diante de um cenário global em constante transformação. Ao buscar equilíbrio e ampliar oportunidades, o Brasil pode fortalecer não apenas seu comércio com o Irã, mas também consolidar sua posição como um dos principais atores no comércio agrícola mundial e nas cadeias globais de valor.

Autor : Sergei Asimov

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