Mastite fora da amamentação e as causas que pedem atenção

Amelie Valtier
Por Amelie Valtier 5 Min de leitura
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

O Dr. Vinicius Rodrigues observa uma contradição frequente nos consultórios: a mastite é associada quase exclusivamente à amamentação, mas uma parte importante das inflamações da mama acontece em mulheres que não estão amamentando. Fora da lactação, as causas são diferentes, o tratamento muda e, em algumas situações, o quadro precisa ser diferenciado de um câncer. Conhecer essas formas de inflamação ajuda a buscar avaliação adequada e evita tratamentos repetidos sem resultado.

A mastite que acontece fora da lactação

Fora do período de amamentação, em geral, a inflamação da mama costuma ter origem nos ductos próximos ao mamilo. A paciente percebe dor, vermelhidão, inchaço e calor em uma região da mama, às vezes com saída de secreção ou pus pelo mamilo.

Diferentemente da mastite da amamentação, ligada ao acúmulo de leite e à entrada de bactérias por fissuras, as formas não lactacionais têm causas mais variadas. Algumas tendem a se repetir e podem evoluir para abscessos ou para pequenos canais que drenam secreção pela pele, chamados de fístulas. O desconforto e as recidivas afetam a rotina e a autoestima, o que torna o diagnóstico correto ainda mais importante.

Tabagismo e mastite periductal

A mastite periductal é uma das formas mais comuns. Atinge principalmente mulheres entre 30 e 50 anos e tem forte associação com o tabagismo. As substâncias do cigarro danificam a parede dos ductos atrás do mamilo, favorecendo inflamação e infecção.

O quadro costuma recorrer, com abscessos repetidos na região da aréola e, por vezes, retração do mamilo. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, interromper o tabagismo é parte fundamental do tratamento, já que a manutenção do hábito aumenta muito a chance de novos episódios. Em casos persistentes, a retirada cirúrgica dos ductos afetados pode ser necessária.

Mastite granulomatosa, a que imita um tumor

A mastite granulomatosa é menos frequente, mas merece atenção especial. Costuma surgir em mulheres jovens que tiveram filhos nos anos anteriores e se manifesta como uma área endurecida, dolorosa e às vezes avermelhada, que pode aumentar rapidamente em poucas semanas.

Na ultrassonografia e na mamografia, a lesão pode ter aspecto irregular, semelhante ao de um câncer. Por isso, a biópsia é indispensável para confirmar o diagnóstico. O tratamento costuma envolver medicamentos anti-inflamatórios, como corticoides, e acompanhamento prolongado, já que a doença pode evoluir por meses. A cirurgia fica reservada para casos selecionados, porque pode dificultar a cicatrização quando feita na fase mais inflamada.

Diabetes e outras condições associadas

Mulheres com diabetes descompensado têm maior risco de infecções mamárias, inclusive fora da amamentação. A baixa imunidade, por doenças ou tratamentos, e lesões na pele da mama ou do mamilo, como piercings e ferimentos, também facilitam a entrada de bactérias e podem levar a infecções mais extensas.

Para essas pacientes, o controle da condição de base é tão importante quanto o tratamento da infecção. Na leitura de Vinicius Rodrigues, investigar o motivo da mastite evita que a paciente receba sucessivos ciclos de antibiótico sem resolver a causa do problema.

Quando suspeitar de algo mais grave?

Uma inflamação que não melhora após uma ou duas semanas de tratamento adequado precisa ser reavaliada. O carcinoma inflamatório, tipo agressivo de câncer de mama, provoca vermelhidão, inchaço e pele em casca de laranja, sinais muito semelhantes aos de uma infecção, mas geralmente sem febre e sem resposta a antibióticos.

Exames de imagem e, quando indicado, biópsia esclarecem a situação com segurança e rapidez. Conforme orienta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a mama inflamada em mulheres que não estão amamentando deve ser sempre avaliada com atenção, porque identificar a causa correta é o que define o tratamento e evita atrasos no diagnóstico de doenças mais graves.

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